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Janeiro/2007


Minha história do Gnocchi da Fortuna

Muitos pensam que a história do Gnocchi da Fortuna teve origem na Itália. Entretanto, isso não é verdade e basta uma pesquisa básica na internet para comprovar que os italianos desconhecem tal simpatia. Em primeira mão, eis a “verdadeira” história do Gnocchi da Fortuna que havia prometido contar.

Penso, logo improviso
Mix de tentativas confusas da cidadã para interpretar a canalhice que veio à tona das profundezas dos bastidores políticos

Pela Internet
Romance virtual iniciado num encontro fortuito em uma sala de chat que prossegue por emails e termina sem pé nem cabeça quando passa para a vida real.

Minha história do Gnocchi da Fortuna (Jan/2007)

Histórias da Chefinha:

Nos idos do século VIII d. C., numa cidade da Pérsia havia uma província governada por um rei chamado Morteza. O rei tinha uma jovem esposa que era bela, formosa, esbelta e esplêndida. Ele viajava constantemente por seus domínios e passava longos períodos fora do palácio deixando sua esposa, Mavash, sozinha e entediada.

Ao retornar de uma das viagens o rei constatou a melancolia de sua esposa que estava cada vez mais esquálida e ficou preocupado.

Quando amanheceu, o rei dirigiu-se à sala de audiências do palácio para receber os nobres, sábios e vizires e convocá-los para encontrar uma solução que divertisse sua Mavash. Havia entre eles um vizir influente que era agourento, invejoso e dissimulado e que logo se prontificou para arranjar entretenimento.

Na viagem que se sucedeu, o rei chamou o vizir invejoso para certificar-se que esposa ficaria feliz durante a ausência. O vizir puxa-saco falou: “Ó rei dos tempos, venturoso, virtuoso e sábio, viaje em paz que já tomei as providências para que sua esposa fique feliz durante sua ausência”.

O rei partiu com seu séquito confiando nas palavras do vizir.

Na noite que se seguiu, o vizir organizou um banquete com as mais finas iguarias, assados e incensos almiscarados. Chamou as mais belas dançarinas e os melhores acrobatas do reino. Entre os artistas havia um negro alto e forte chamado Najub cuja compleição física sarada destacava-se dos outros integrantes da trupe.

Durante as festividades o vizir percebeu que Mavash, em sua ávida juventude, não conseguiu tirar os olhos do apolo de ébano cujos músculos luziam untados em óleo enquanto ele apresentava seu número como domador de um Tigre do Cáspio. O tigre tinha uma pelagem de fundo branca e era um animal imponente e perigoso de uns 320 quilos. A fera obedecia docilmente aos comandos de Najub que trajava uma minúscula tanga que possibilitava entrever seus avantajados atributos.

O vizir viu no interesse de Mavash uma oportunidade para manipular o rei e arranjou para que Najub aparecesse nos aposentos da jovem naquela mesma noite.

Enquanto isso, num mercado em Damasco o rei comprava de presente para Mavash um lindo vaso de cobre com arabescos em prata e cuja boca estava lacrada com uma tampa de ouro cravejada de minúsculos rubis que formavam uma palavra misteriosa.

Antecipando sua volta, eis que o rei retorna na semana seguinte e adentra os aposentos da esposa com o belo vaso que havia comprado de presente.

Ao entrar no recinto ele se depara com a bela Mavash completamente nua dormindo lânguida nos braços de Najub. O rei é possuído de uma insuperável cólera, atira o vaso ao chão e vocifera: “Ai de você! Que Deus lhe amaldiçoe, pérfida senhora!”.

Para espanto geral, a tampa do vaso se solta e sobe uma fumaça negra que envolve todo o ambiente. A fumaça transforma-se num gênio imenso que diz: “Eu pertenço à raça dos gênios renegados. Rebelei-me contra o profeta de Deus que mandou trazer esse vaso e me trancafiou dentro dele, lacrando-o com ouro e selando-o com o mais poderoso nome de Deus escrito em rubis. A quem me resgatou após esses 500 anos de clausura... concedo três desejos!”.

O rei Morteza, enfurecido de ciúmes, diz para o gênio: “Que o amante de minha mulher, esse demônio negro, vire um eunuco!”. E imediatamente Najub fica castrado.

A essa altura, o vizir invejoso que tinha ido conferir o barraco que rolava, percebeu que ia sobrar para ele. Rapidamente dirigiu-se ao rei, beijou o chão diante dele três vezes e disse: “Ó rei excelso, meritório senhor, eu me criei em meio a suas dádivas e generosidade e não posso ser responsabilizado por tal iniqüidade. Em nome do criador, vencedor dos tiranos e aniquilador dos sassânidas, poupe-me pelo amor de Deus altíssimo e poderoso!”.

O rei ignorou as súplicas e disse para o gênio: “Que esse vil que colocou minha mulher nos braços de outro seja transformado numa mula e passe o resto da vida sendo açoitado pelos seus proprietários”. E, a despeito das lamúrias do vizir, o gênio falou: “Ouço e obedeço!” e imediatamente o invejoso transformou-se na besta.

O gênio então, antes de desaparecer, perguntou ao rei qual era o terceiro e último desejo. Apesar de irado, ele amava muitíssimo sua mulher e não teve coragem para pedir uma punição tão severa quanto as anteriores e então ordenou: “Que minha mulher não seja mais desejável para todos os homens.”

O gênio então pensou e... fez com que ela ganhasse 100 quilos. Logo em seguida o espírito maléfico evaporou-se numa nuvem de fumaça.

Os meses se passaram e o rei Morteza arrependeu-se do que fizera com a linda Mavash. A infeliz além de devorar tudo o que encontrava na despensa, passava o dia inteiro comendo tâmaras e cuspindo os caroços por todo lado para desespero dos servos. Entre uma boquinha e outra ela padecia gemendo e chorando as desditas da sua sorte.

O rei já estava incomodado com aquele trambolho desventurado no palácio e sentia saudades do tempo em que ela era sedutora e ornamentava o ambiente.
Numa das viagens, que agora eram ainda mais freqüentes e longas, ele soube que em Bagdá havia uma bruxa muito poderosa chamada Bua-Taranga. O rei decidiu buscá-la e rumou com sua comitiva para a cidade. Ao encontrá-la ele prometeu todas as riquezas, jóias e outras preciosidades caso ela desfizesse o trabalho do gênio.

Após um longo trajeto de volta, eles chegaram ao palácio justamente no dia 29 de Martius do Calendário Juliano.

O rei mandou chamar o trubufu e Bua-Taranga falou: “Ó rei venturoso e sensato, dono de correto parecer e louvável proceder, com a sua permissão eu livrarei sua esposa do feitiço maligno”.

Então a bruxa dirigiu-se à cozinha e mandou que levassem o enorme baú que ela trouxera com seus instrumentos de trabalho. De dentro dele tirou um saco com uns tubérculos estranhos e empoeirados que havia recebido de uma feiticeira Inca chamada Acsumama.

Bua-Taranga mandou que os criados pegassem aquelas papatas, como eram conhecidos os tubérculos na língua quíchua, cozinhassem e depois fizessem uma mistura com farinha. Quando a massa estava pronta, ela enrolou tal qual uma serpente.

Feito isso a feiticeira ordenou que se enchesse um caldeirão com água. Em seguida, diante do caldeirão, ela pronunciou algumas palavras e água ferveu e borbulhou como se estivesse sobre o fogo.

A feiticeira então sacou uma adaga de prata engastada com turquesas e cortou a serpente em pedacinhos atirando-os ao caldeirão.

Em seguida fez esconjuros e preces e falou para Mavash: ”Ó mulher, se esta for a forma que lhe deu o Altíssimo Poderoso Vitorioso, não mude; porém, se estiver enfeitiçada e atraiçoada, para cada porção que comeres desse alimento perderá peso e retomará sua forma com a permissão do criador do mundo!”.

E assim a esposa voltou a ser a bela sílfide de antes.

Quando você comer o gnocchi da fortuna do Café da Moda, coloque sob o prato um papel com o número de quilos que deseja perder, concentre-se no sabor e repita (intimamente, pliz): “Que Deus quebre esse encanto e destrua para sempre todas as células adiposas que não me pertencem!”.

Claro que você não vai perder tudo de uma vez mas a cada dia 29 pode repetir o ritual.

Afinal, convenhamos, nem é saudável perder muito peso de uma só vez.

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Penso, logo improviso. (junho/2005)

Eu detestaria que me achassem panfletária, mas não posso me furtar a comentar a situação atual. Não posso me calar diante dos últimos fatos. Há que se refletir e comentar o momento que vivemos.

Coisas que eu nem imaginava acontecem com o conhecimento e conivência de muitos. E pior, com o conluio dos que estão no poder, pasmem, nos representando! : O : O : O : (

Se eu tivesse muito dinheiro sairia do país por uns seis meses prá ver se ao voltar uma nova ordem já estaria estabelecida e me pouparia de testemunhar esse pesadelo.

Porque lá fora, ao contrário do que poder-se-ia supor, parece que o Brasil não existe. Quando a gente tá aqui e vê o Lula apertando a mão de toda a “diversidade sócio-econômica-e-cultural” indo aos confins mais remotos - freqüentados por ele, sua polpuda comitiva e pela National Geographic - pensa até que é importante e que o mundo nos conhece. Tolice! Do Brasil o resto do mundo conhece mesmo é o Pelé e a Escrava Isaura e... só! No 1º. mundo vê-se pouquíssima coisa e sabe-se quase nada desse país ao sul do Equador.

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui está preta! Ôps, quero dizer, vermelha ou talvez, meio marronzinha e cheirando mal. (By the way, marrom é politicamente correto ou entrou na cartilha dos proibidos?).

No início dessa história eu costumava trocar o Jefferson por Jader, ato falho pois que um e outro igualmente me sugerem roubalheiras. No caso de Jader as notícias já são póstumas, esquecidas pela mídia e agora arquivadas definitivamente pelo Supremo. Graças a Deus porque só de olhar para a cara dele no noticiário já me dava gastura e minha pressão subia. Desconfio que sei muito bem onde a dinheirama da Sudam foi parar mas não creio que alguém vá contar a verdade.

Apesar de achar que ambos são farinha do mesmo saco, ôps de novo, já tô até vendo um lado positivo no Jefferson e fico muito preocupada com isso. Eu nunca simpatizei com mau-caráter. Toda a minha vida, desde pequenininha, sempre me identifiquei com o lado do bem. Se agora estou sentindo essa tênue simpatia é porque a coisa tá mal, a coisa tá mal!
Os cidadãos de mãos amarradas, os olhares perplexos, incrédulos e boquiabertos... Cruz credo, parece até que estamos vivendo uma doideira kaftkiana do mal.

Alguns e, eu me incluo neles, para tentar manter um mínimo de racionalidade tentam interpretar.
E agora, José? José pode? Ou será que também ofende alguém? E Dirceu? É culpado ou inocente? Vamos defenestrá-lo com dignidade e meigas palavras. Dirceu seria o neo-ex-quase-futuro Golbery ou Rasputin? O Jefferson conseguirá sair dessa adjetivado de “meio-bom-moço”?

E o Lula, gente? Como é que ele vai sair dessa?! Que saia justa que esse hôme tá. Ou ele assume que era ingênuo pacas e não sabia o que tava rolando, o que vem a caracterizá-lo como simplório; ou ele assume que sabia e também nos fazia de trouxas coniventemente. Mas afinal, será que ele é? Será que ele é?!

Que situação! E olha que no início eu até gostei do Lula embora não tenha sido sua eleitora dessa vez. Quando ele abria a boca até me gerava uma certa sensibilidade não digo cívica, mas empática com suas boas intenções. Meu amigo Márcio zombava de mim com um forte argumento: fui educado ouvindo que se eu quisesse ser alguém na vida tinha que estudar. Ultimamente tenho achado os speechs entediantes. Mas, como bem me esclareceu o pessoal da Casseta, o problema do Lula é que ele “pensa de improviso”. Ah bom, então tá explicado!

Fui eleitora dele quando eu era jovem, idealista e ele barbudão e rude. Mas até hoje a melhor lembrança que tenho do Lula foi do comício dele na Cinelândia em... 1989? Tô ficando velha, “maluco”! O evento prá mim foi meio que um Woodstock com as pessoas se abraçando, se confraternizando. Uma amiga minha, que estava solteira na ocasião, se acabou de dar beijo na boca. O clima era tão coletivamente positivo que rolava essa energia semelhante ao desfile do Simpatia só que as pessoas não se moviam na mesma direção. Como de costume nos eventos populares daqui, as pessoas faziam xixi na rua, algumas mulheres muito desesperadas faziam “paredinha” umas para as outras e todos inebriavam-se nos bares. Eu não ouvi quase nada mas adorei.

Há muito tempo mandei um email para o Planalto dizendo que para mim as prioridades são:

1) Investir na educação de base - vamos esquecer essa bobagem de universidade para todos que isso não existe em lugar nenhum do planeta. Nossas crianças têm que aprender a somar, subtrair, multiplicar, dividir, ler, escrever e interpretar um texto. Se a pessoa souber isso ao menos pode progredir, aproveitar oportunidades. Tem ferramentas para crescer e se profissionalizar. Do contrário fica estagnada e não consegue ampliar seus conhecimentos por total falta de base. Se o governo ainda não sacou, vou contar um segredinho: o aprendizado é cumulativo, viu?

2) Investir no sistema de saúde e
3) Combater a corrupção em todos os níveis e esferas.

Vocês podem me achar intrometida mas é que pela internet é tão fácil fazer chegar a mensagem que de vez em quando eu mando meus e-p@lpites por aí.

Foi assim com o Clinton naquela história da Lewinsk. Fiquei tão indignada com aquela pistoleira que mandei meu apoio por escrito. Convenhamos, o cara é boa pinta, preparado, inteligente à beça, presidente dos EUA, de novo para quem não caiu a ficha: o bofe é totalmente poderoso! E vem uma chubby mandar um blow job e depois contar prá todo mundo? Que galinha! O que eu não entendi é porque ele pegou logo ela?! Parece que o Kennedy se dava muito melhor. O que tem de mulher boa querendo dar para os famosos não é brincadeira.

Falando nisso, e o Ronaldinho, o “fenômeno”? Gente, ser um fenômeno é demais! Sei que tá certa a aplicação mas gente-fenômeno me soa tão pretensioso... prá mim os fenômenos eram mais da natureza tipo a tsunami. Eu não consigo dizer “o fenômeno” sem um leve sorriso irônico. O Guga, por ex., não tem um autonomásio desse tipo (não me julguem esnobe, saibam que tive que consultar a web para me lembrar do nome dessa figura de palavra que aprendi no ginásio. Você nem imagina o tanto de coisa que nós ursulinas aprendemos!).

Imagina só, vem comigo: você nasceu pobre, num subúrbio do Rio. Morava logo ali em Bento Ribeiro e são casas simples, com cadeiras (de praia) na calçada, e na fachada escrita em cima que é um lar, pelas varandas corre o cheiro do churrasquinho e os rádios tocam músicas altas: pagodes, funk, hip hop, samba, sertanejo e todos os ritmos se misturam no sensurround que chega aos seus ouvidos. Divertimento total, crianças descalças ou de gastas havianas correndo, bola, bola, bola. Corta a cena. Pouco tempo depois... tá: casando no Château de Chantilly com a gostosona da vez (parece que ela é meio maluca mas, quem vê cara não vê intelecto e, pensando bem, intelecto só dá trabalho e é totalmente dispensável se você tem um corpão, um bocão, um... deixa prá lá), se vestindo de Armani, cortando o cabelo que nem o Cascão (não entendo porque os jogadores de futebol tem essa necessidade de auto-afirmação estética) e “cheio de mulé bonita dando mole prá ele”. Imagina só o ego desse cara! Certamente ele tem qualidades incríveis e, não pensem que eu não gosto dele, ao contrário, acho ele do tipo não-mascarado e ninguém pode julgar o garoto por ter tanta mulher fácil e gostosa querendo “ficar” com ele, verdade? O Beckham e o João Paulo Diniz devem até enxotar as boazudas que chovem na horta deles mas para o Ronaldo ainda enaltece o ego e o rapaz, coitado, fica confuso e perturbado.

Imagina se de repente eu sou assediada por um... Antônio Fagundes <karak@! Acho que eu tô velha prá cacete porque os caras que fazem parte da minha “psiquê romântica” já estão fazendo papel de Deus na 3ª. idade!>, por um Marcos Palmeira e o... <coloque o cara que vc achar mais interessante, eu coloco o Pedro Cardoso ou o Selton Melo pois sou totalmente fã deles> e aí... com quem você ia “ficar”? Pô, sei lá, pode um pouquinho com cada um? O cara tá nessa (excelente) situação e é bobagem tentar julgá-lo.

Eu até às vezes sinto uma certa semelhança entre o que deve estar passando e sentindo o “fenômeno” (será que isso substitui nome próprio e deve ser escrito com maiúscula?) e o nosso presidente. Quando eu vi aquelas fotos que pararam na internet dos filhos & friends no avião... aquela alegria toda... eu pensei: sei não... se esse cara ainda não deslumbrou a sua família já. Gente, é o operário no poder! Literalmente! Não tenho nada contra os operários e gosto de todos os profissionais que trabalham direito. Mas quando eu vi o resumé da Dr. Condoleezza Rice confesso que me deu uma bruta inveja. Quem tiver curiosidade no currículo da madame dá uma olhada em: http://www.whitehouse.gov/nsc/ricebio.html Convenhamos, independente de qualquer posicionamento, contra ou a favor, ela deve ser absolutamente competente. Puxa, será que paralelamente a nossa Bené é a Condoleezza deles? E aí eu me questiono de improviso: e quem sou eu??? Puta-merda!!! Pera aí que eu vou lá dentro um pouquinho cortar os pulsos e já volto.

Será que o Lula conseguiu segurar a onda de celebridade? Eu quero mesmo é ouvir o que ele vai dizer. Sim, porque ele vai ter que explicar essa parada-sinistra (e destra, e canhota, e... pega o bolo de dinheiro aí, Marinho!) prá gente.
Não fica bem a pessoa na posição dele se esquivar. O Delúbio não explicou direito mas o presidente tem que esclarecer! Vem cá, de onde é que o pessoal tira esses nomes? E agora apresentamos: Delcídio & Delúbio! Parece dupla sertaneja, né não?

Gostei quando Lula falou em cortar na própria carne mas parece que se for assim vai sobrar poucas partes. Talvez o indicador do último dedo-duro. Espero que não acabe que nem o Naya, o Jader, os anões e todos os inúmeros salafrários que subtraem a nação e o dinheiro dos nossos polpudos impostos. Ai! Pluft! Ih... sumiu!

Pois voltando para a vez que eu escrevi pro Lula, ninguém me respondeu. Nem uma mísera mensagenzinha automática como a que manda a Casa Branca dizendo que o presidente é muito ocupado et cetera, mas que a equipe dele lê e coisa e tal, enfim, insinuava que havia uma remotíssima chance do Clinton vir a tomar conhecimento do email. A minha mensagem de apoio metendo o pau naquela pilantra provavelmente não chegou até ele. No máximo ela contabilizou + 1 numa estatística de apoio manifesto num gráfico por região. Entretanto, como o Brasil não existe no mapa deles, deve ter sido somada em “outras”.

Por aqui nada. Resposta alguma do Planalto. Mutismo absoluto. O cidadão escreveu? Pois dane-se! (para não ser muito chula) Mas tudo bem que país em desenvolvimento é assim mesmo: a corrupção corre solta, o sujeito paga trocentos tributos, o empresário paga hipérboles de taxas, impostos, encargos, o serviço de educação e saúde são umas bostas.. e daí?

Quer pagar quanto? Quer pagar como?
Olha o mensalão, aí, gente!
Meu medo é esse negócio terminar em samba-enredo...

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PELA INTERNET (junho/2005)


CH@T

Sherazade: Frank Sinatra pq, vc canta?
Frank Sinatra: Não, mas tenho olhos azuis...
S: - Ahmmm... Blue eyes, né?
FS: - Isso aí... bem, já vi que vc tem mais de 30...
S: - Hummm vc gosta de conversar com pessoas de que idade, em geral? Mais novas? Na faixa dos 20?
FS: - Não, absolutamente, não me entenda mal, não tenho preconceito de idade.
S: - Sei.
FS: - Mas... qtos anos vc tem?
S: - Ih, acho que não vamos nos entender... acho melhor parar por aqui... Pensando bem, acho que vou sair da sala. Aliás, tem um monte de trabalho pra eu fazer e eu aqui ludibriando a cia.
FS: - Onde vc trabalha?
S: - Não costumo dizer isso até conhecer a pessoa melhor, sabe? Mas e vc? Qtos anos vc tem?
FS: - Mais de 40.
S: - 50?
FS: - Um pouquinho menos...
S: - Sei... e o que vc faz?
FS: - Bom, eu trabalho com pessoas.
S: - Do tipo... conselho espiritual?
FS: - Não! Já vi que vc tem senso de humor. Digamos que sou uma espécie de advogado.
S: - Advogado... hummm... tipo esses que defendem criminosos e corruptos ou daqueles de vara de família ou trabalho?
FS: - Bom, eu não sou advogado. Mas é que trabalho com pessoas.
S: - Ah, vc quer dizer que não é veterinário? hahaha
FS: - Pô, claro que não... me conta, como você é?
S: - Tem certeza que vc não errou de sala? Olha que aqui não é sala de sexo e não adianta pedir para eu dizer que estou com um fio-dental de renda preta, umas ligas vermelhas e um espartilho porque eu estou no trabalho e isso seria impossível. As baias daqui não tem nenhum apelo erótico.
FS: - Ok. Você venceu!
S: - Lembra da Blitz?
FS: - Ah, já vi que somos praticamente contemporâneos.
S: - Pô taí, gostei disso, a maioria dos caras que teclam não conseguem usar nenhuma palavra sofisticada como essa... se bem que não é muito sofisticada mas em terra de cegos...
FS: - Sabe, vc é meio metida.
S: - Sei. E fresca também. Aliás, do tipo refrigerada...
FS: - Bom, e aí, vc vai dizer como você é?
S: - Sabe a Gisele Büdchen?
FS: - Sei! Uhú!
S: - Não tem nada a ver comigo! (risos)
FS: - : (
S: - Também acho. Afinal, ela come quem ela quer né? E vc, como é?
FS: - Bom, como vc já sabe, eu tenho olhos azuis, sou alto, 1,83m, peso 90kg.
S: - Careca?
FS: - Não, Deus me livre!
S: - Não sei se vc tecla há muito tempo, mas todas as pessoas que freqüentam a rede tem o seu biótipo. Alto, atlético, olhos azuis... pelo menos aqui no Brasil porque suponho que lá pela Noruega a maioria seja negão, alto, gostoso e sensual.
FS: - Vc não tá acreditando em mim, né?
S: - Não, tudo bem, acredito. Agora me diz uma coisa, qual é o seu lado fora do padrão daqui? Barrigudo? Calvo? Bigode?
FS: - Bigode? Pq? Vc não gosta de bigode?
S: - Pra falar a verdade não. Me lembra o mundo árabe e do jeito que o pessoal anda se explodindo por aí os bigodes ficaram estigmatizados (pelo menos por mim).
FS: - Não, eu não tenho bigode.
S: - Ufa!
FS: - Mas, vem cá, eu já falei de mim, e vc? Como vc é?
S: - Linda! Pelo menos é o que mamãe diz...
FS: - Sério, como vc é?
S: - Se eu disser que sou loura, olhos verdes e lembro a Claudia Schiffer vc acreditaria?
FS: - Não.
S: - Pois é... Eu sou um tipo comum. Nem alta nem baixa, nem gorda nem magra, o cabelo nem comprido nem curto... normal, sabe?
FS: - Manda uma foto?
S: - Não. Só depois de te conhecer melhor. Tenho medo que publiquem na Playboy sem minha autorização... hahaha
FS: - Vc quer continuar a falar comigo por email?
S: - Bem, é que... o email é daqui da companhia...
FS: - Vc não tem computador em casa?
S: - Tenho.
- Ah, já sei! Vc é casado!!! E o computador é para os filhotes se entreterem...
FS: - Mais ou menos...
S: - O casamento, o computador ou os filhos?
FS: - Ok, sou casado. E vc?
S: - Também. E aí, vai continuar ou vai desistir? Quer passar o email?
FS: - Qtos anos vc tem?
S: - Mais de 16. E vc? Da idade do Blue eyes? hehehe
FS: - Não! Tenho 48.
S: - Bom, eu sabia que menos impossível...
FS: - Pq?
S: - Pq dá pra notar na conversa, ou vc não percebe qdo está falando com alguém com menos de 24?
FS: - 24? Pq 24?
S: - Sei lá! Acho que depois dos 25 a pessoa pode até me enganar que é mais velha ou se fingir de retardadinho e passar por uns 16. Mas nada contra, falar com jovem é legal por um tempo mais depois... enche o saco.
FS: - Bom, o meu email é blue.eyes@hotmail.com mas eu fico preocupado que alguém leia.
S: - Só se vc deu a sua senha pra alguém...
FS: - Não! Mas e o pessoal da informática?
S: - Vc tá de caso com a gerente do correio?
FS: - Não! E é um homem.
S: - Então fica tranqüilo que as pessoas só quebram o sigilo para ler mensagens alheias se: 1) estiverem desconfiadas q vc tem um caso e forem o seu próprio cônjuge (isso é super-roubada!) 2) se desconfiarem de pedofilia 3) e se... sei lá... vc pretender se candidatar a presidente dos EUA e vasculharem todo o seu passado.
FS: - Tem certeza?
S: - Bisoluta! Se vc se sentir mais tranqüilo, podemos trocar arquivos attachados. Vc sabe usar o editor bem ou vai precisar chamar o suporte para abrir o arquivo?
FS: - Putz, claro que eu sei usar!
S: - Vc prefere que eu envie attachado assim parece que é “criptografado” e vc se sente mais seguro?
FS: - Não, pode mandar email mesmo. Qual é o seu endereço?
S: - Aguarde... qdo eu mandar uma mensagem vc terá meu email.

Em@il

Oi, Frank!

E aí, tudo em cima? E a família como vai? E a sogrinha? (perdoe minha ironia mas não consigo resistir...).
Bom, até agora ainda não conseguimos descobrir quem nós somos fora da Matrix o que é bom porque aguça a curiosidade. Cria um clima, um enredo.
Fiquei curiosa para saber o que você faz.
Você podia me contar na próxima mensagem...
Você mora aqui no Rio?
Vamos a vida real, quantos filhos vc tem?

Beijos
Sher@z@de



Querida Sherazade,

Estou esperando a história que você vai me contar. Se você não me entretiver o suficiente, vou deletar o seu endereço do meu caderninho.
Espero sua foto também.

Bjs
Frank



Blue eyes,

Já vi que vc ou bem fez o dever de casa ou já conhecia a minha história antes e disfarçou muito bem.
Infelizmente não tenho nenhuma foto para mandar.
As de criança que, by the way, que foram tiradas em máquina digital não acho prudente enviar pois vc pode ser acusado de pedofilia. Vou tirar umas mais recentes, tá?
Por que vc não envia logo a sua?
A história fica pra próxima.

Beijos
Sherazade

 

CH@T

FS: – Ué, vc está por aqui?
S: – Hora do almoço, né?
FS: - Vc não vai almoçar?
S: - Não, comi só um sanduichinho que eu trouxe...
FS: - Regime?
S: - Pô, já não te disse que eu sou sósia da Claudia Schiffer? Se eu emagrecer mais desapareço!
FS: - Acredito...
S: - Vc tb não vai querer me convencer que é a cara do Frank, né? Aliás, a cara nem era tudo isso, a voz é que contava. Acho até que ele foi um dos raros casos que melhorou depois de maduro... Viu, a aparência não é tão importante assim.
FS: - Pra vc?
S: - É, pra mim, mas devia ser para todo mundo.
FS: - E seu eu dissesse que tenho 1,95m e peso 160 kg?
S: - Bom, eu perguntaria o que o seu cardiologista tem a dizer sobre isso....
FS: - Ok. Eu não tenho 160kg.
S: - 1,95? Hummm adoro homens altos...
FS: - Um pouco menos.
S: - Qtos centímetros?
(silêncio)
S: - Eu perguntei quantos centímetros menos!
FS: - Ah, uns 10 ou 12.
S: - Hummm... entendi... vc está falando com outras pessoas aqui na sala... Bom, então vai bater papo que eu fui!


Em@il

Sherazade,

Você é muito ciumenta! Onde já se viu abandonar o chat por desconfiança que eu estava falando com outra pessoa? Bobagem, vai dizer que vc também não tem outros amigos virtuais?
Você já me deve:
1) Uma história (Surpreenda-me... fly me to the moon!)
2) Uma foto

Beijos
Seu Frank



Frank seu pilantra,

Sei muito bem que você só podia estar “cantando” alguma coisa para a Loirinha-tijucana ou a Gabi-18...
Mas tudo bem, sou uma menina aberta. Vou fingir que não vi seu interesse pelas gatinhas.
Aliás, meu bem, vc também não é único, sabia? Outro dia cruzei por aí com o Chico Bu@rque e rolou o maior lance... nem te conto!

Bjs
Sherazade



Pô, o que é isso, Sherazade? Trocando a voz por uma vozinha? Tenha vergonha na cara! Olha que eu não sou sheik mas bem posso mandar cortar a sua cabeça, viu? Vc só anda com ele é diz que é sem compromisso? É bom acabar com isso, não sou nenhum pai João!
Não faça papel de louca, pra não haver bate-boca dentro da sala do chat!

Sem beijos (vc não merece!)

The voice

 

Frankinho,

Meu amor, eu não sabia que você era ciumento! Afinal, vc tem mulher, filhos, sogra, animais de estimação, toda uma vida organizada, estruturada, bem arrumada, toda uma experiência compartilhada... alegrias, tristezas, felicidade, monotonia, pequenas traições, alguns barracos, que, convenhamos, o Mastercard não pode pagar, né?
A menos é claro que você seja recém-casado com a Gabi-18. Aí é bom tomar cuidado porque logo logo vc vai ser substituído pelo “O gostoso de sampa” ou pelo “Bruno jui-jitsu”. Te cuida!
Fica triste não, olha que ontem eu ouvi seu cd todinho. Quando chega a hora do Night and Day eu me derreto... Só falta vc cantar I’ve got you under my skin no meu ouvido...

Bjs
Sherazade

 

Sherazade,

Quando eu vou saber mais sobre você? Nada de foto, nenhuma informação, cpf, então, nem pensar!
De agora em diante, se você não me enviar nenhum dado ou não me contar uma história interessante, estamos com as ligações cortadas.

Frank

 

Meu querido,

Que pressa é essa? Deixa que diga, que pensa e que faz, eu não estou fazendo nada, vc também, faz mal bater um papo assim gostoso com alguém?
Nossa conversa está tão divertida, para que acelerar as coisas? Deixa a vida me levar...
Vamos nos conhecer gradualmente, homeopaticamente e daí depois a gente se vê, que tal?

Beijão
Sherazade

 

Querida Sherazade,

Sua dívida aumenta mais a cada email.
Aliás, Wilson Simonal e o traidor-da-Brahma Zeca Pagodinho, convenhamos! Pensei que vc fosse mais seletiva!
Concordo em continuar homeopaticamente embora não seja fã desse tratamento.
Pra mim, para resolver o negócio, é antibiótico mesmo.
Mas vamos deixar rolar pra ver como é que fica. Mas uma coisa eu não dispenso, pelo menos o início de uma história.
Você tem filhos? Onde vc mora?

Beijão
Frank

 

My dear Blue eyes,

Fiquei surpresa quando recebi a sua foto. Juro que não esperava. Sabe, você até é bem bonitão. Quem é o cachorro que está ao seu lado? Seu? Como se chama? Rex? Xuxa? Sacha? Onde foi tirada a foto? Em que ano?
Desculpe pelo interrogatório mas fiquei curiosa.
Agora estou me sentindo obrigada a pelo menos pagar uma das minha dívidas e vou começar pela história...

“Há muitos anos atrás, num reino distante em que tudo era lindo e maravilhoso, existia uma princesa muito feliz que passava seus dias fazendo trabalhos manuais muito meticulosos e perfeitos e à noite, a luz das lamparinas do reino, lia contos maravilhosos que inspiravam a sua imaginação.
Um dia, ela começou a pensar que aquela vidinha que ela levava, com todas as benesses que desfrutava sem ter que suar suas roupinhas brancas de baixo, talvez pudessem ser mais excitantes se ela descobrisse como transformar aquele palácio no reino dos prazeres.
Daí, com a ajuda do grão-vizir que era gay, ela importou uma dúzia de escravos negros, fortões e bem dotados...” (cont.)

Bom, vc não pode dizer que eu não estou começando a pagar parceladamente minhas dívidas...

Beijos
Sherazade


CH@T

FS: – Taí, gostei do início da história... Mas vem cá, esse papo de que o tamanho não é importante para a mulher não era um lema para a mulher moderna?
S: - Há controvérsias!
FS: - Quer dizer que vc... ou só está tentando me deixar inseguro?
S: - Inseguro?! Meu querido, ainda estamos a anos-luz de virmos a passar para qualquer contato físico. Eu sou uma apreciadora dos contatos virtuais de 3º grau, acho mesmo que todas as pessoas antes de se casar deveriam passar 6 meses conversando virtualmente e 3 em intercurso carnal pra ver se era aquilo mesmo. E também, vc já pensou se eu tiver a cara da Araci de Almeida?
FS: - Não, tenho certeza que não.
S: - E se eu disser que ela era minha tia?
FS: - Sério???!!!
S: - Não, brincadeira. Levou susto?
FS: - Sei lá, na Matrix tudo é possível.
S: - Vou ter que sair agora porque tenho uma reunião.
FS: - De?
S: - Te contei não? Sou gerente do correio daqui! hahaha
FS: - Que perigo!!!


Em@il

Sherazade,

Estou ansioso pelo restante da história.
Estou curioso para saber como você é de fato e estou me contendo pra não falar algumas coisinhas sobre você ou pelo menos coisas que eu vejo/sinto em você.
E a foto? Virá? Pelo menos uma descrição que não dá pra falar tanto tempo com um espírito!
Pessoalmente é muito melhor.

Beijos
The voice

 

My dear Frank,

Tenho ouvido muito o seu CD e I’ve got a kick com seus emails.
Bom, vou te dizer como eu sou: 1,67m, uns, digamos, 67kg, cabelos castanhos e olhos castanhos. Dá pra ter idéia? (risos) Pode ser que o peso não seja rigorosamente esse mas é que eu não me peso regularmente.
Juro que mando uma foto, falta só tirar...

“Quando os 12 negros vigorosos chegaram lá no reino, a princesinha mandou fazer uma “sunguinha” de tecido cru, orgânico e rústico para eles usarem enroladas no corpo (tipo Jesus Cristo, sabe?) e deu para cada um deles um abanador com um cabo longo e com 80 penas de pavão branco (como aquele antigo que foi sacrificado pelo faminto do Campo de Sant’Anna).
Feito isso, a princesinha deitou-se numa chaise-longue, chamou 6 dos serviçais, tirou a capa real e ficou meio que nua em pelo e mandou que os caras abanassem ela... Enquanto isso, ela contemplava surpresa e enternecida os membros de alguns deles se avolumarem dentro da peça de pano exígua e levemente transparente...” (cont.)

Beijos
Sherazade



Minha querida Sherazade,

Apesar de sua descrição sobre si mesma ser muito vaga, estou interessadíssimo na sua história.
Este fim-de-semana estava ouvindo uma música do cd da Maria Rita, “Dos Gardênias para ti”, e me lembrei de você. O que vc acha que isso significa?
Temos que nos conhecer pessoalmente, mas ando cheio de trabalho, falta espaço no cérebro e os dias são pequenos demais pra cuidar das coisas pessoais, lato senso. Sabe, emails não são o meu forte.

Beijos
Sinatra



Frank,

Sabe, relendo o seus emails, senti um desejo irreprimível de saber o que você vê/sente em mim. O que seria isso? Ver é meio difícil a menos que você tenha poderes paranormais ou extra-sensoriais. Será que você poderia ser mais explícito?
Quanto aos emails não serem o seu forte, vou fingir que não ouvi isso porque até agora vc se saiu muito bem. Não tive nada a corrigir no seu pretuguês. Você até se expressa bem direitinho, sabia?
Bom, vou nessa que hoje tá tudo dando pau por aqui.

Beijos
Sherazade

 

Sherazade,

Vou ter que viajar na próxima semana e não sei se vou estar próximo a algum local onde possa lhe enviar emails. Se eu ficar silente por algum tempo não estranhe.
Quando eu voltar nós devemos marcar para nos conhecermos, almoçar, jantar num barco... sei lá. Acho que isso já está se prolongando demais e não acho que seja bom para nós esse envolvimento virtual.

Beijos
Frank

 

Frankinho,

Você não respondeu às minhas indagações... se você me vê, não precisa de foto nem de me conhecer... se você sente, melhor ainda! Nada precisa ser dito nem escrito.
Provavelmente vc deve estar viajando nesse momento. Eu estou aqui entediada com a rotina do trabalho e aproveitei para mandar este email mesmo sabendo que não terá resposta tão cedo.
Esse negócio de relacionamento virtual tem uma vantagem pois o tempo fica meio em suspenso e parece que temos todo o tempo do mundo. Quando as pessoas se conhecem na vida real, tudo se acelera e as interações são mais intensas e exigem mais tempo e dedicação. Pessoalmente as coisas tendem a se complicar porque a proximidade faz com que ou bem as pessoas se aproximem ou se repilam. Não gostaria que vc me repelisse mas ao mesmo tempo temo uma aproximação pois como nós sabemos, você é casado e eu também sou. Claro que não queremos mudar isso, claro que não queremos novidades que possam vir a interferir na nossa vida real. Assim, virtualmente, não chega a se configurar traição até mesmo porque sequer namoramos virtualmente, apenas trocamos idéias, não é mesmo?

“Aquela altura do campeonato, o grão-vizir que chamava-se Mohamed Al Aziz, depois de assistir excitadíssimo a cena do repouso da princesinha, pediu à ela que ele pudesse dispor de um dos serviçais para si próprio já que a mucama que o servia estava para se aposentar pelo INSS. Como a princesinha tinha tantos, e o grão-vizir era um amigo e confidente fiel, e ela adorava aquela bicha, concordou em ceder um deles para ser lacaio particular dele. Feita uma inspeção detalhada nos atributos dos jovens, o grão-vizir que não era bobo nem nada, escolheu o que tinha o maior membro da turma. A princesinha não ficou chateada pois, como se sabe, as mulheres modernas não ligam para o tamanho do pau do homem.
Com o seu troféu (por lá não se aplicavam as regras do politicamente correto e sequer sabiam da cartilha que o PT inventou), ele juntou a comunidade GLS do reino e resolveu fazer uma festa. Uma festa, não, um rega-bofe com muitos bofes. Chamou todos os entendidos, as entendidas, os afins, os eunucos, os anões, as meninas mais vadias do harém e fez um faustuoso folguedo que culminou com uma performance dos doze escravos nus, demonstrando todo o seu poderio erótico em riste após um bate-coxa com as gostosonas que lembravam as figurantes de O Clone só que com menos roupa. A festa entrou pro livro Guiness como a suruba mais longa realizada na humanidade. A princesinha, quando soube que ia rolar essa rave lasciva, chamou a sua aia e mandou que preparasse a sua pouca-roupa com que iria se apresentar...” (cont.)

Puxa, esse email tá muito longo. Vou pro trampo.

Beijos
Sherazade

 

Sherazade,

Apesar de ainda não saber como você é, tenho que reconhecer que sua história fica cada vez mais picante e interessante.
Sua imaginação é um refresco para os meus dias.
Ando, aliás acho que sempre fui, muito atarefado e sem controle das prioridades e é bom dar uma pausa nisso de vez em quando e deixar a imaginação nos inspirar.
Quando vamos nos conhecer?

Beijos
Frank

 

Frank,

Se fosse há, digamos, uns 10 anos atrás, acho que eu faria de tudo para levar você para a cama. Por vários motivos: auto-confiança na minha imagem, necessidade insensata de seduzir os desconhecidos interessantes que irromperam em minha vida.
Atualmente, com esse ímpeto digamos, arrefecido pela maturidade, entrego ao acaso o que será o amanhã. Responda quem puder... o meu destino será como Deus quiser e eu não vou mover nenhuma palha para a coisa evoluir. Não se preocupe, no que depender de mim passaremos o resto da vida nesse papo platônico muito diferente da vida da nossa princesinha safadinha.
Comprei o disco da Maria Rita. Gostei. Já tinha outra gravação dessa música no disco do Buena Vista Social Club.
Sabe, aqui na rede é muito raro achar alguém interessante. Perde-se um tempo enorme garimpando e ouve-se um monte de bobagens de adolescente ou tarados ou adolescentes-tarados.
Prezo muito o nosso relacionamento.
Na próxima eu conto como foi o lance da festa...

Bacio
Sherazade

CH@T

FS: – E a minha história, qual é o próximo capítulo?
S: – Ué, vc aqui essa hora? Pensei que vc não teclasse de casa...
FS: - Viu, as pessoas se surpreendem... com quem vc tá falando?
S: - Ah com um amigo antigo...
FS: - Vc se encontra com ele essa hora?
S: - Às vezes... ocasionalmente.
FS: - E o seu marido, o que ele acha disso?
S: - Ih, que papo! Não vou nem responder!
FS: - Sabe que vc é a 1ª. mulher com que eu converso que não pergunta o meu signo?
S: - Que bom, né? Por que, vc acredita em horóscopo?
;-)
FS: - Não. Mas as mulheres parecem que sim.
S: - Qual o seu signo?
FS: - Qual o seu?
S: - Virgem.
FS: - Hummm
S: - Sério! Que nem o da princesinha... Sabe que eu sonhei com vc?
FS: - Como?! Vc nem me conhece!
S: - Mas eu tenho a sua foto, lembra? Daí o meu sub criou uma historinha e Puff! Mas nem foi tão legal assim, a gente tava conversando, só.
FS: - Putz, mas isso é só o que a gente faz! Vc não aceita os meus convites...

S: - Não dá, fica muito complicado...
FS: - Vamos combinar pelo menos um almoço... vai...
S: - Olha, prá falar a verdade, eu já almocei com alguns correspondentes virtuais e não curti muito. Às vezes as pessoas são muito mais interessantes por dentro do que pessoalmente. Veja, a gente nunca conversaria essas coisas se estivéssemos cara a cara.
FS: - Talvez sim, talvez não. Mas temos que tentar prá ter certeza!
S: - Por que? Prá mim tá bom desse jeito. Vou falar a verdade, não quero me envolver. Estou bem com a minha vida.
FS: - Bom, acho que se você realmente estivesse bem como diz, não estaria pescando na rede... hehehe
S: - Mas eu não pesco! Que cretino! Isso aqui é só um passa-tempo inofensivo e útil para quem é prisioneira de uma catraca.
FS: - Catraca... hein? Onde você trabalha?
S: - Melhor eu não dizer. Sabe que algumas vezes no chat achei que podia estar conversando com alguém daqui? Morri de medo e saí fora. E vc?
FS: - Eu trabalho num escritório de advocacia.
S: - Hummm e vc disse antes que não era advogado... vê como essa é uma rede de mentiras? Onde? No Centro?
FS: - Sim. E vc?
S: - Olha, eu vou te contar, eu também trabalho aqui no Centro. Quem sabe a gente até já se esbarrou por aí na hora do almoço?
FS: - Ué mas vc não leva sanduíche, essas coisas?
S: - Pô, mas não é todo dia, né? Umas 2 ou 3 vezes na semana eu saio daqui... às vezes tenho que respirar e dar um tempo da clausura.
FS: - E quando vc sai onde costuma ir? Pergunta capciosa, hein?
S: - Sabe, eu não sei se devo te contar os restaurantes que freqüento... fico meio assim... vai que a gente se encontra?
FS: - Nesse caso vc está em total vantagem pois eu nunca saberei que é vc já que nem foto vc me mandou até hoje.
S: - Num é que é verdade? Eu nem tinha me tocado disso... vc não me conhece, rapaz! Taí, então vou te contar porque quem sabe eu até esbarro em vc e dou uma espionada básica durante o almoço? Boa idéia!
FS: - Manda lá que eu vou te dar uma chance: juro que amanhã eu apareço por lá.
S: - Ok... que horas vc costuma sair para almoçar?
FS: - Lá pra 1h – 1h30 e vc?
S: - Eu saio mais cedo tipo 12h. Vida de operária, sabe?
FS: - Não enrola, não, diz logo onde vamos amanhã.
S: (risos) Ih, cara, vc nem sabe se eu vou! Que pretensioso! Quem disse que eu tô ansiosa prá te ver?
FS: - Tenho certeza absoluta! Nega?
S: - Ok ok ok. Costumo ir ao Café da Moda.
FS: - Humm...acho que já fui lá é dentro de uma loja de roupas?
S: - Isso mesmo. Gostou?
FS: - Até amanhã. Beijos. FUI!


Se você quiser dar algum palpite sobre o texto, me manda um email: jackie@poftcookies.com.br

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